sábado, 15 de setembro de 2012

AS IDÉIAS de Lisélia de Abreu Marques

As idéias nascem, crescem, evoluem, prosperam e até morrem.


São como filhos que parimos, adotamos, embalamos, defendemos, amamos.

As idéias batem a nossa porta ou simplesmente vão entrando sem pedir licença. São inconvenientes, não tem hora, aparecem a hora que querem.

Como sereias, nos hipnotizam, nos fascinam, nos seduzem e, enfeitiçados, acreditamos nelas (crenças), precisamos delas (muletas) e até atacamos com elas (ideologias) e por elas.


Deixam de nos servir e nós passamos a servi-las.
Quantas pessoas foram mortas, agredidas e desprezadas por defenderem outras idéias? 
Na Guerra das idéias, infelizmente, as pessoas valem menos do que suas idéias.

LUZ de Lisélia de Abreu Marques



  Eu recebo, acolho e hospedo a luz divina no meu ser.
Que ela se expanda e se multiplique.
Eu dou passagem, 
através das camadas endurecidas do meu ser, 
para que a luz que vem de fora 
encontre a luz que vem de dentro.
Eu impulsiono esta luz para que 
ilumine os lugares escuros da minha alma e
permito que esta luz me cure.
Que a luz se faça em toda parte do meu ser.


MEU GATO MORREU, COITADO!



"Não quero saber de quadro. Meu gato morreu, coitado. Ficava ao lado de minha cama, isso que me dói.”

Algumas das obras de arte mais importantes e valiosas do Brasil foram destruídas por um incêndio, num apartamento de Copacabana onde morava o marchand Jean Boghici. Colecionadores e especialistas do mercado de arte não arriscam um valor para a coleção, segundo eles, são quadros e esculturas que simplesmente não têm preço. Em meio a sua perda incalculável, apenas uma coisa amargurava aquele que dedicou sua vida à arte: "Não quero saber de quadro. Meu gato morreu, coitado. Ficava ao lado de minha cama, isso que me dói”, declarou o marchand Jean Boghici para espanto e reprovação de muitos. Fiquei chocada com a declaração corajosa do marchand e com a expressão de reprovação dos repórteres do JN que transmitiam a notícia. Apesar de amar e valorizar a arte, o velho marchand, até pela sabedoria que vem com a idade, sabia que  quadros são apenas quadros. Amigos valem mais. Desde o dia da reportagem fiquei com vontade de escrever a respeito. Foi quando encontrei o texto da Patrícia Gebrin que com maestria disse tudo o que eu gostaria de ter dito a respeito. Eis o que ela escreveu:

“Outro dia acompanhei a notícia do incêndio que ocorreu no apartamento de um famoso marchand, do fogo que se alastrou destruindo inúmeras obras de arte, uma perda de um valor inestimável, sem dúvida alguma. Mas confesso que o que mais me chamou a atenção foi que, ao ser questionado pelos jornalistas sobre sua perda, aquele sábio senhor respondeu que o que realmente lhe doía era o fato de sua gatinha ter morrido no incêndio, a gata que ficava ao seu lado na cama e que não tinha conseguido escapar das chamas.

Ora, muitos diriam: _ Que valor tem um simples gato, frente a obras de arte que jamais poderão ser recriadas? Que valor tem um simples gato, frente a um patrimônio da humanidade, queimado e destruído, numa perda financeira tão grande que é até difícil avaliá-la qualitativa e quantitativamente?


E ainda assim, para aquele senhor de voz embargada e coração apertado, a gatinha valia mais, e eu achei lindo ouvir isso. Achei lindo ver um homem que já viveu tanto indignar-se daquela forma.


_ Quando foi que aprendemos a colocar os cifrões antes da vida? Quais são os valores que norteiam nossas escolhas? _ precisamos pensar sobre isso.


Essa inversão de valores está, a meu ver, na base de boa parte do sofrimento humano. Claro, tudo tem lá sua importância. Mas é preciso que saibamos priorizar e enxergar a partir de um ponto que existe dentro de nós, e não a partir dos manuais empilhados nas prateleiras expostas, construídas por pessoas que moram fora de nós.


O mundo ao nosso redor pode ter uma idéia do que deve ter valor. Pode criar teorias, embasar pesquisas, elaborar manuais de conduta. Pode até declarar-se detentor de verdades cientificamente provadas. Mas se as verdades do mundo não nos trouxerem paz, se as verdades do mundo não aquietarem nosso coração, será que nos servem de verdade?


Quando traímos a nós mesmos para nos adequarmos ao que acreditamos ser esperado de nós, sofremos uma perda imensa. Maior do que qualquer outra.


Foi isso que me encantou na resposta daquele marchand ao jornalista, a reposta corajosa de alguém que já viveu muito e já não se obriga a agradar quem quer que seja. A resposta de alguém que não se trai, pensem o que pensarem. Ah, como admiro pessoas assim!


E dedico este artigo à Pretinha, a gatinha que virou estrelinha.”

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ADÃO E EVA de Lisélia de Abreu Marques


ADÃO
Adão, o masculino sagrado é a força motriz do universo, é o movimento de expansão. Adão, a matéria, se expande do ponto inicial da criação, em direção ao que ainda não é. Adão é sólido, pesado, duro como uma rocha. Adão é a matéria antes de ser expandida, como a massa do pão que ainda não foi esticada, o monólito. Adão tem personalidade séria e firme. Adão é a pele, as paredes do universo, a casca.

EVA
Quando Adão se move a partir do ponto de origem do Universo vai expandindo a matéria e criando o espaço. Eva é o universo gerado pelo avanço de Adão. Eva é o espaço interno, o vazio, o útero.  Eva é o resultado do movimento de Adão a partir de um ponto fixo inicial. Eva é o lago, Adão, as margens. Eva só existe porque Adão existe, Eva é resultado do movimento de Adão. A medida que Adão se move para a direita, um espaço se abre atrás dele, este espaço é Eva. 

O UNIVERSO
O universo é uma esfera; Adão é o movimento de ampliação da esfera, a casca do ovo, a casca do universo. O universo é uma bola, Adão é as paredes da bola, Eva é o ar dentro da bola. Adão e Eva são uma relação. Adão é o movimento e Eva é o espaço criado pelo movimento de Adão. Eva é o túnel, Adão é a montanha. Adão e Eva são inseparáveis. Eva segue Adão e só existe porque ele existe.  Eva é o útero do universo.

A CONSCIÊNCIA
A consciência é a origem do movimento, a origem de Adão. A consciência se manifesta a partir da esquerda. Adão se move para a direita.  A partir do movimento de Adão para a direita, Eva se expande em forma de esfera e a medida que Adão se move para a direita Eva molda a esfera.

A VIDA
O movimento que é Adão cria Eva que é o espaço vazio. A consciência ocupa este espaço. A consciência se manifesta germinando no solo da mãe sagrada que é a energia Vida. Vida, a mãe sagrada, o solo interno de Adão ocupado por Eva acolhe e alimenta todas as expressões da consciência.   
  
A CRIAÇÃO
Toda a criação está em Eva, Adão é a força motriz que transforma a matéria em espaço. Adão, a matéria, se projeta na escuridão e amplia o reino de Eva, a luz. A  humanidade  encarnada está fixada nas costas de Adão na fronteira entre o espaço e a matéria. Onde Adão se transforma em Eva, exatamente na costela. Tudo o que existe no nosso universo surge desta união.

A MÃE  E O PAI SAGRADOS
A mãe sagrada, a mãe natureza é o solo de Eva, o grande útero, que é ao mesmo tempo as costas de Adão.  O ponto onde Adão e Eva se tocam. Adão, o masculino em nós é a força de expansão e crescimento. Eva oferece o espaço e a Vida.  Adão move a semente em direção ao crescimento, Adão se manifesta em Eva fazendo tudo prosperar através do movimento do crescimento. A manifestação de Adão em Eva faz dele o Pai sagrado.

A ALIANÇA
A aliança, o círculo, o anel representa o espaço vazio que é Eva, cercada pelo material que é Adão. A aliança representa o universo e a criação, o feminino e o masculino, o céu e a terra. Adão é o continente de Eva.  Adão e Eva, o casal primordial sustentam a vida de todo o universo, o universo é a esfera.

A UNIDADE
O espaço que é Eva, é uno. A consciência se manifesta unificada dentro de Adão, em Eva.
 
A TERRA
A consciência que se manifesta na superfície externa, a consciência que se ancora em Adão  olha para fora,  focada no movimento de expansão. O mundo material no qual estamos ancorados (força da gravidade é uma representação deste ancoramento), o planeta Terra, vibra no estado de consciência de Adão, portanto olha pra fora e se expande. Como olha para fora não vê Eva, o mundo interior, o espaço de manifestação da Vida.  A humanidade atual valoriza o masculino em detrimento do feminino. O masculino é forte, é expansionista, é visionário, é desbravador, é impulsivo, é ativo.

A SACERDOTISA, UM NOVO TEMPO
Quando olhamos para dentro, para Eva, um portal se abre. Este portal é a sacerdotisa, um aspecto do feminino. A sacerdotisa é a passagem entre o mundo material de Adão para o espaço de Eva.  A sacerdotisa é a porta e é a visão ao mesmo tempo. A Sacerdotisa é a capacidade de ver Eva. A humanidade começa a ver e valorizar o feminino. Não me refiro, aqui, ao gênero feminino inserido no mundo masculino, falo dos aspectos e qualidades de Eva.


CONCLUINDO,

Adão é homem, Adão é pai, Adão é movimento, Adão é força, Adão é material,  Adão é abrigo, Adão é continente.

Eva é mulher, Eva é mãe, Eva é pausa, Eva é energia, Eva é possibilidade. Eva é espaço, Eva é conteúdo. Eva é vida.

A criação são os filhos e as filhas de Adão e Eva.

A consciência é a origem de Adão e, consequentemente de Eva. 

A consciência quando se expande chama-se Adão, quando repousa chama-se Eva, quando contrai chama-se transformação.

A pulsação do universo, a respiração do universo é a manifestação da consciência criando.

O universo é o corpo da consciência universal que se manifesta dentro e fora de si mesma.

SOBRE FUGA de Roniel Lopes

A gente foge.
Todo mundo foge.
E tem horas que a gente tem que fugir mesmo, porque não estamos prontos para enfrentar determinada situação.
Não vejo problema em fugir, desde que a gente se observe e perceba que está fugindo.
Também não acho que a gente precise entender os motivos da fuga.
Só precisamos mesmo prestar atenção e ver quais situações nos provocam fuga.
E aí, conhecendo essas situações podemos ir arriscando cada vez ir um pouquinho além, pra ver como a gente se sente.
Com o tempo as coisas se ajeitam dentro da gente e paramos de fugir.
E é um orgulho imenso poder dizer "essa situação já não me assusta mais".
Tudo tem seu tempo.

Sobre fuga

ENFRENTANDO O MEDO de Lisélia de Abreu Marques

Hoje enfrentei um lobo que me assustava:
o meu medo. 
Em vez de vestir armaduras, me despi, 
em vez de empunhar uma espada, 
abri meu coração e 
o meu medo pode sair 
a medida que a verdade entrava. 
E, quando o medo saiu, o amor pode entrar.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

FUGINDO DE SENTIR de Lisélia de Abreu Marques

  A noite, antes de dormir, me escondo de mim mesma; me escondo na leitura, nas imagens e espero meu corpo pedir pra dormir. Assim, quando não estou vendo, corro pra baixo das cobertas e tento dormir o mais rápido possível, antes de esbarrar comigo mesma no caminho e ver o meu coração romântico vazio com suas luzes apagadas. Não há festa nem alegria no meu peito, apenas dor que se agrava com o peso dos julgamentos . Ainda não sei o que fazer, não sei como amparar a mim mesma, como lidar com esta dor. Então, fujo numa manobra infantil, como aquela de se cobrir os olhos e se acreditar invisivel; fujo, como se pudesse me desgarrar de minha própria sombra, me abandonando sózinha na solidão.

terça-feira, 15 de maio de 2012

TODO DIA É SEMPRE HOJE.
NÃO DEIXE PARA AMAR AMANHÃ,  AMAR SE... AMAR QUANDO...

terça-feira, 1 de maio de 2012

A PAIXÃO DE CRISTO


Ele sabia o que iria acontecer e se sujeitou ao martírio porque sabia que precisava ser assim... se sujeitou voluntariamente, sem resistência. Foi um sacrifício, não a Deus, que não precisa de sacrifícios, mas se sacrificou a Humanidade, porque esta sim, por sua enorme insensibilidade, falta de empatia, egoísmo e crueldade precisa de grande impacto para conseguir "sentir" e, a partir daí, despertar de seu casulo de egoísmo e indiferença, despertar de sua cegueira espiritual. O mal acabou sendo um instrumento para um bem maior. Uma sociedade primitiva, mas  muito parecida com a nossa em questões de maturidade emocional, com suas pequenas mesquinharias humanas, vaidade,  orgulho, desejo de poder, foi cenário para o evento  mais importante que este pequeno planeta azul já viveu.
Ele exemplificou aceitação a uma missão mais importante que a própria vida. Foi leal a Deus, a si mesmo e a todos aqueles que acreditaram em sua pregação e exemplo. Sua grandeza transformou a arrogancia e o orgulho de muitos de seus perseguidores em um profundo sentimento de vergonha e pequenês. Ele suportou uma dor e uma crueldade que nenhum outro homem suportaria. Foi testado pelo mal segundo a segundo e em cada passo cambaleante sua dor ia tocando os corações daqueles que estavam prontos para despertar. E, mesmo sentindo toda a dor, ainda, assim pede a Deus que perdoe aqueles que o prejudicaram, pois sabia que estes não tinham a menor noção do que haviam feito. E Maria, sua mãe, esteve com ele desde antes de seu nascimento e se manteve ao seu lado até após a cruxificação, dando suporte, amparando, velando, como faz o feminino diante do masculino em cada um de nós. Belíssimo filme. A minha vida toda evitei as encenações da paixão de Cristo, os filmes; que tratavam do assunto, pois a dor me perturbava muito. Hoje consegui assistir este filme e ver além da dor... Obrigada Deus. Namastê. Clik para assistir ao filme

domingo, 22 de abril de 2012

EU NAO VI A LUZ MAS SEI QUEM VIU de Lauro Henriques Jr

Lauro Henriques Jr e os maiores nomes da espiritualidade de todo o mundo


O jornalista mineiro Lauro Henriques Jr. passou dois anos entrevistando alguns dos maiores nomes da espiritualidade e do autoconhecimento de todo o mundo. Nas páginas a seguir, ele revela o que há em comum entre tantas tradições – e como essa experiência mexeu com sua vida

Certa vez, um sábio imperador convocou os pintores mais talentosos do mundo e lançou o desafio: daria um prêmio fabuloso àquele que fizesse o melhor retrato da paz. Mãos à obra, o resultado foi uma série dos quadros mais incríveis jamais vistos. Dentre eles, o monarca selecionou dois finalistas. No primeiro, via-se um lago cristalino, que refletia as montanhas verdejantes à sua volta e os pássaros voando no céu azul. Já no segundo, um despenhadeiro erguia-se sob um céu negro, cortado por relâmpagos, enquanto uma cachoeira desabava morro abaixo junto da tempestade. Todos se maravilhavam ao ver a primeira obra, já prevendo a sua vitória; afinal, a outra era o oposto da paz.

Porém, para assombro geral, foi justamente a segunda a escolhida pelo imperador, que explicou sua decisão: “Vocês não observaram o detalhe mais importante da pintura. Reparem ali”. Todos, enfim, notaram: atrás da cachoeira, saindo das ranhuras da rocha, havia um pequeno arbusto e, nele, um ninho de passarinho – nesse ninho, alheio ao caos reinante, a mãe passarinho chocava seus ovos em paz. “Estar em paz não significa estar onde não há confusão ou dificuldades”, disse o imperador. “A verdadeira paz acontece quando, mesmo em meio a tudo isso, você permanece calmo em seu coração.”
A lenda desse vernissage imperial ilustra um ponto fundamental comum às mais diversas tradições espirituais, e que talvez sirva como um bom ponto de partida para o assunto dessas páginas, iluminação. Ela ensina que, assim como estar em paz não implica estar onde não há confusão, ser uma pessoa espiritualizada, ou “iluminada”, não significa estar isolado das demandas e questões do cotidiano.
Durante as conversas que renderam meu livro, Palavras de poder: entrevistas com grandes nomes da espiritualidade e do autoconhecimento no Brasil e no mundo (Editora Leya), entre tantas tradições e linhas de pensamento, uma coisa ficou bastante clara: a prática espiritual não é algo que se faça, necessariamente, em um templo, uma mesquita, uma sinagoga ou, quem sabe, em cavernas nos Himalaias. Os espaços sagrados, ou os retiros e as jornadas, são importantes e valorizados, mas todos aqueles entrevistados insistiam que o contato com o divino se dá, especialmente, no dia a dia, na banalidade do cotidiano, sem precisar de grandes aparatos para isso.
Uma das minhas entrevistadas, a budista Monja Coen, por exemplo, fala de como até uma simples caminhada pode ser um grande exercício de meditação. Você não precisa sentar-se numa almofada de estampas indianas, cruzar as pernas e fechar os olhos. Se, ao caminhar, alguém respira com tranquilidade, prestando atenção aos sons à sua volta, já está em meditação. Simples como isso.
Evidentemente, o fato de algo ser simples não significa que seja fácil de ser colocado em prática. Do mesmo jeito que o complicado, e aquilo que nos parece difícil, não quer dizer que seja impossível de fazer – os dois anos que passei me dedicando ao livro mostraram exatamente isso.
Mão na massa

O projeto do Palavras de poder é fruto de minha própria trajetória, das várias linhas e tradições com as quais entrei em contato ao longo dos anos, cada uma à sua maneira gerando transformações positivas em minha vida. Na maioria das vezes conheci essas vertentes graças à minha curiosidade: buscando tal autor citado em uma nota de rodapé; assistindo a tal workshop de respiração aqui; certa palestra sobre taoísmo ali; uma jornada xamânica acolá. Porém, não havia um livro que apresentasse tudo isso no mesmo pacote. E minha ideia foi justamente esta: reunir a essência de todas essas linhas, de forma clara, acessível, para ajudar as outras pessoas em seu próprio caminho – decidi escrever a obra que gostaria de ter lido.
Mas colocar em prática essa ideia simples foi uma empreitada que consumiu quase dois anos de labuta, trabalhando três turnos por dia, sem direito a férias nem feriados. Afinal, se no jornalismo muitas vezes já é bastante difícil acessar alguma fonte específica, para marcar uma entrevista com 26 pessoas, quase metade delas estrangeiras e todas com agendas extremamente lotadas, realmente é preciso uma ajudinha lá de cima para a coisa dar certo.
Por exemplo, com algumas pessoas, como a astróloga pop americana Susan Miller, gastei praticamente um ano de negociações entre o primeiro contato e o dia em que, finalmente, conseguimos realizar a entrevista. Só essa parte de produção para agendar os encontros exigiu uma troca de, literalmente, milhares de e-mails e telefonemas – isso sem contar, claro, o trabalho intenso de apuração, elaboração, transcrição e edição das entrevistas.

Salve o prazer
Todo suor, organização mental, gigabytes armazenados, quilômetros rodados e jogo de cintura ficam pequenos perto do prazer, dos encontros gratificantes e da enormidade de causos para contar. Um dos melhores ocorreu durante o encontro com o psicoterapeuta José Ângelo Gaiarsa (1920-2010), considerado o maior especialista brasileiro em comunicação não verbal, um iconoclasta que já foi o “terror das mamães conservadoras” por sua postura irreverente e sem papas na língua em relação a temas como família, amor e sexualidade. Com um currículo desses, o doutor Gaiarsa até se espantou quando o convidei para participar do projeto. A princípio, ele me disse: “Mas, Lauro, o que eu vou fazer em um livro sobre espiritualidade? Meus deuses são a mulher, o corpo, a criança”. Expliquei, então, que o livro não era sobre religião, mas que incluía as várias formas pelas quais a espiritualidade pode se manifestar em nossa vida, como a consciência em relação ao nosso próprio corpo.
Os espaços sagrados são importantes e valorizados, mas todos insistiam que o contato com o divino se dá, especialmente, na banalidade do cotidiano
Foram horas e horas de uma conversa riquíssima, em que o doutor Gaiarsa ia pontuando toda sua exposição com histórias surpreendentes, como o caso de um monge budista que passou por anos de preparação até que lhe fosse permitido entrar no templo mais sagrado de uma cidade no Tibete. Então, quando o sujeito finalmente teve autorização para entrar no templo, o que foi que avistou lá, em cima de um altar? Ele viu uma escultura maravilhosa de um casal em plena relação sexual, com a mulher e o homem sentados de frente um para o outro, num abraço em que se entrelaçavam totalmente. “E por que essa imagem está num altar? Porque o encontro sexual não é uma ‘transa’, ele é o ato da criação”, concluiu o doutor Gaiarsa.

A essa altura, já estávamos os dois completamente sintonizados, em profunda empatia, quando ele me disse: “Lauro, estou amando nossa conversa. Dessa sua espiritualidade eu gosto!”. Gaiarsa morreu poucos meses depois da nossa conversa, aos 90 anos.
O bom equilibrista
Foi a história contada pelo psicoterapeuta que me chamou a atenção para o quanto as palavras “espiritualidade” ou “iluminação” são assustadoras para a maior parte das pessoas. Como se o despertar espiritual fosse algo reservado a poucos eleitos, um feito inalcançável para alguém que, como eu e você, tem contas a pagar e horário para entrar no trabalho.
Acontece que, por paradoxal que pareça, as diversas tradições são convictas em afirmar que a iluminação espiritual não é algo a que se deva chegar. Pelo contrário, a maior parte afirma que basta reconhecer que a luz já existe em nós.
“A iluminação é sempre súbita, porque não é uma conquista”, disse o mestre indiano Osho. “Você está iluminado, mas não tem consciência disso. [O que chamamos de iluminação, na verdade] é a conscientização de que aquilo já existe.” E essa luz se manifesta sob a forma de ação em benefício do próximo – seja uma pessoa, um animal ou uma árvore. Evidentemente, não adianta se julgar um iluminado se seus atos não o são. Ou, como dizia uma frase que circulou na internet, “pouco importa praticar yoga e meditação e não cumprimentar o porteiro de seu prédio”.
Uma parte constante do aprendizado é se familiarizar com os erros. Somos humanos, falhos e sujeitos a cair. “O importante na vida não é ser uma pessoa equilibrada, mas ser um bom equilibrista” – mais uma das boas frases do doutor Gaiarsa. Assim, a questão não é ficar o tempo todo querendo ser “o equilibrado”, “o iluminado” (correndo, naturalmente, o risco de virar “o chato”), mas ter a consciência de que, se escorreguei aqui, se vacilei ali, posso retornar de novo a meu centro e, a partir daí, procurar agir da melhor forma da próxima vez. Como afirmou o rabino cabalista Yehuda Berg em nossa entrevista: “O trabalho do mal é nos manter para baixo, e o nosso trabalho é lutar para voltar para cima. Não se trata da queda em si, mas de ser capaz de se levantar de novo”.

Uma rapidinha?
Agora, em meio a todo esse eterno balança-mas-não-cai, nada melhor do que procurar manter a leveza. Isso é algo que foi destacado por vários de meus entrevistados, como o Lama Surya Das, um budista americano considerado pelo próprio Dalai Lama um de seus conselheiros. No caso da meditação, por exemplo, embora seus benefícios já estejam mais do que comprovados, pouquíssima gente tem a disciplina para meditar, nem que seja ao menos 20 minutos pela manhã. Bom, e qual é a sugestão do Lama Surya Das? Em vez de ficar se martirizando por não conseguir meditar, procure dar uma rapidinha – ou melhor, várias rapidinhas! “Rapidinha” é como o Lama se refere a pequenas meditações de um minuto, que qualquer pessoa pode fazer em vários momentos ao longo do dia. Pode ser enquanto espera o elevador, parado no trânsito, na fila do restaurante, no banheiro – oportunidades não faltam. Basta fazer uma respiração profunda, relaxar, ouvir os sons ao redor. Um minutinho apenas, e depois é tocar a vida adiante. Eu mesmo, enquanto escrevia o livro, fazia centenas de rapidinhas para dar conta do recado.
Aliás, em relação a meu encontro com o Lama Surya Das, aconteceu uma história bem bacana.
Encontrei o Lama perto de Boston, Estados Unidos, nas proximidades do lago Walden – o mesmo em cujas margens viveu o escritor Henry D. Thoreau e que o inspirou a batizar sua obra-prima de Walden ou A vida nos bosques. Caminhei por horas ao redor do lago antes de ir falar com ele, já entrando bem no clima. E, de fato, foi uma conversa de muitos insights e muita conexão. Terminado o papo, nos despedimos e, quando eu já saía pela porta, ele me chamou. Ao me virar, vi que ele vinha em minha direção, tirando o seu mala (espécie de terço de oração budista) do próprio pulso e colocando-o no meu. E ainda me contou que aquele era um presente que havia recebido do Dalai Lama em pessoa. Era mais do que uma pulseirinha, mas um instrumento que, para ele, representava toda uma linhagem à qual pertence. Foi naquele gesto que percebi o quanto o lama havia entendido a proposta do livro e me considerava digno de passar adiante as coisas sobre as quais havíamos conversado.
Tudo acontece como tem de ser
Susan e Donovan Thesenga, um casal de psicoterapeutas americanos, me deram uma grande lição sobre a aceitação plena da vida, como algo muito mais real e possível do que um amontoado de palavras edificantes. Passei uma semana com eles numa área rural ao sul de Washington D.C., onde vivem. Ao chegar à cidade, liguei para Susan, que educadamente me disse que eles teriam de viajar “para resolver uma urgência na família”, mas que falaria pessoalmente comigo.
As palavras "espiritualidade" e "iluminação" assustam, como se não dissessem respeito a pessoas como nós, com horários a cumprir e contas a pagar
Encontrei o casal logo depois daquela ligação; serenos, apesar de objetivos. Haviam organizado tudo para minha estadia. Até um celular haviam providenciado para mim. Nos despedimos e eles, ambos com mais de 70 anos, pegaram a estrada. Começamos as sessões de entrevista no dia seguinte quando, segundo Susan, “tudo estava resolvido”. Não quis ser inconveniente e não perguntei sobre qual havia sido a urgência na família.
Ao longo das conversas que tivemos naquela semana, um ponto destacado por ambos foi o valor da aceitação, de que tudo acontece como tem que ser. Uma postura que, diga-se de passagem, não tem nada a ver com resignação. Não é a pessoa cortar o pé, perder o emprego e dizer: “Que ótimo!”. Mas aceitar que aconteceu e buscar entender qual o melhor aprendizado trazido por aquela situação. Segundo eles, uma compreensão que só obtiveram após viver uma experiência extremamente difícil com a filha adotiva: ela passou dez anos viciada em heroína, com todo o inferno pessoal e familiar que uma situação dessas implica, até largar o vício. Mas realmente só tive a devida dimensão do que eles diziam sobre a aceitação no fim de minha estadia, quando, a convite do casal, participei de um workshop conduzido por eles. Nesse dia, Susan contou para o grupo que, no início da semana, haviam recebido uma denúncia de que a filha teria sucumbido à heroína de novo. Aquela era a urgência.
As pessoas que me receberam com toda a atenção quando cheguei eram as mesmas que, naquele dia, se deparavam com uma possível recaída da filha no vício. Só que, em vez de se descabelarem, estavam objetivamente fazendo o que precisava ser feito. E, felizmente, descobriram que a “denúncia” não era verdadeira.
Só entendi o que meus entrevistados diziam sobre aceitação plena da vida quando, em um workshop, soube que, havia poucos dias, eles haviam recebido a denúncia de que a filha teria recaído no vício em heroína
Dar vida a esta vida em nossa vida

Outra comprovação da possibilidade prática de uma ação iluminada, mesmo diante dos eventos mais difíceis, veio durante meu encontro com a Monja Coen. Como o budismo trata muito da questão do desapego, ela foi uma das únicas pessoas com quem abordei, diretamente, o tema da morte (com cada entrevistado, busquei levantar os temas mais pertinentes à sua linha específica). Já estávamos no meio de nossa conversa, que transcorreu de forma profunda, mas bem-humorada, quando perguntei sobre o melhor meio de lidar com a perda de um ente querido. Então, na mesma serenidade com que vínhamos conversando, ela me disse que, apenas dois dias antes, havia perdido o pai, após um sofrido processo de doença. E sua resposta foi esta: “É uma experiência das mais difíceis. Por mais que alguém diga: ‘Já sou uma pessoa consciente, iluminada, não vou sentir nada’, é mentira. Não há como ficar indiferente, pois nos toca, dói. Ao mesmo tempo, é essencial não se apegar a essa dor – não se apegar à pessoa que parte nem à dor que fica. Quando alguém que amamos se vai, uma parte dessa pessoa também fica em nós. O essencial é dar vida a essa vida em nossa vida. Que qualidades tinha este ser que eu amava? Será que, em minha vida, consigo manifestar essas qualidades para os outros? Isso é muito importante. Assim, a pessoa que se foi não desaparece, pois continua viva em nós”.
Isso é de uma beleza e profundidade enormes. Ainda mais quando é dito de forma serena, amorosa, por alguém que, dias antes, havia passado pela perda do próprio pai. Na verdade, quando se fala da iluminação espiritual, um denominador comum ao discurso de diversas linhas é a importância de nos lembrarmos de que a morte pode acontecer a qualquer momento. Vários textos tratam de como a pessoa iluminada é aquela que tem consciência de que pode morrer a qualquer momento. E por que ela é iluminada? Porque não desperdiça mais a vida.
Por exemplo, você nunca ouve alguém que está no leito de morte arrepender-se por não ter comprado um carro novo, por não ter usado determinado vestido numa festa, esse tipo de coisa. O que se ouve é a pessoa arrepender-se por causa das brigas que teve com a família, por não ter passado mais tempo com os amigos, por não ter feito o que realmente gostaria. Agora, a questão é esta: ninguém precisa esperar chegar ao leito de morte para ter essa consciência – ou a chamada “iluminação”.

Todos iguais
Depois de falar com tanta gente boa, de todo o trabalho envolvido para dar vida aos dois volumes de Palavras de poder, uma certeza que fica é esta: se meu intuito com o projeto era o de ajudar as pessoas, a primeira pessoa que acabei ajudando foi a mim mesmo. Ao longo do processo, minha vida foi ganhando em vários aspectos, como a certeza de que somos todos iguais, de que estamos aqui uns para ajudar os outros, uns para aprender com os outros. Pude comprovar isso claramente a partir de uma proposta que fiz aos entrevistados, a de que cada um elaborasse uma pergunta para ser respondida por outro. E o resultado dessa “mesa-redonda” foi surpreendente, com sacadas bem interessantes, em que todos se dispuseram, sinceramente, a aprender uns com os outros. O que mostra também que, apesar da diversidade de linhas e tradições, em essência, todas apontam para o mesmo ponto. É como no caso de uma orquestra, em que você tem vários instrumentos diferentes, mas todos tocando juntos para compor a mesma harmonia.
Por fim, se há um aprendizado que fica em relação ao despertar espiritual é este: a verdadeira iluminação é aquela que se manifesta de modo prático na vida, sob a forma de mais amor, mais generosidade, mais tolerância, mais amizade, mais alegria. E com a grande vantagem de que sempre se pode dar uma rapidinha!
Eu só tenho um caminho
Três temas comuns na visão (incrivelmente semelhante) das diversas tradições
ACEITAÇÃO E GRATIDÃO
“Se não tenho plena aceitação de mim mesmo, passo a vida procurando a felicidade fora de mim. A atitude que busco pode ser resumida numa frase: ‘Entrego, confio, aceito e agradeço’”. Professor Hermógenes, um dos maiores difusores brasileiros da yoga

“Sabedoria é ter confiança, confiar que as coisas acontecem como têm que acontecer, confiar que, por trás de tudo, existe um movimento superior.” Roberto Otsu, professor de taoísmo
“Mesmo um evento que normalmente você diria ser uma tragédia pode ser um caminho de crescimento.” Susan e Donovan Thesenga, psicoterapeutas adeptos do Pathwork
“Uma crise pode ser um momento precioso, em que, por causa do sofrimento, sentimos uma ruptura em nossa percepção do mundo e surge uma busca espiritual mais profunda.” Dom Laurence Freeman, monge beneditino
“Não podemos culpar ninguém quando nos decepcionamos; nosso sofrimento vem de não aceitarmos que as coisas mudem, que elas não sejam do jeito que queremos.”
Lama Surya Das, budista
COMPAIXÃO
“Este é o propósito que devemos ter: eu não faço algo pelo outro porque ele vai me achar maravilhosa por isso, eu faço porque é bom fazer, porque é bom ajudar.” Monja Coen, zen budista
“O impulso do herói, e que deve ser o impulso de cada um de nós, não é a autogratificação, é o serviço ao outro.” Robert Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation
“A caridade significa a materialização do conhecimento espiritual libertador, transformado em socorro ao próximo. É o caminho de iluminação das pessoas.” Divaldo Franco, médium
“A vida só acontece quando eu troco influências, quando me envolvo, plenamente, comigo mesmo e com o outro. Quem não se envolve não se desenvolve.” José Ângelo Gaiarsa,
psicoterapeuta
HUMILDADE
“Quando nos conhecemos de verdade, o outro pode pensar o que quiser sobre nós; não ficamos orgulhosos por causa de um elogio nem arrasados ao ouvir algo desagradável sobre nós.” Jean-Yves Leloup, padre ortodoxo
“Há duas regras para lidar com o estresse. Regra número 1: não se preocupar com ninharias. Regra número 2: tudo é ninharia.” Susan Andrews, astróloga
“A ‘doença do amanhã’ é o que nos mantém passivos. Passamos a vida deixando tudo para o outro dia. Mas será que vou estar vivo amanhã? É essencial nos lembrarmos de que a morte pode ocorrer a qualquer momento.” Artur Andrés, músico

domingo, 8 de abril de 2012

PÁSCOA, A GRANDE CELEBRAÇÃO DA VIDA! de Lisélia de Abreu Marques


Posso imaginar os primeiros cristãos, indo da Glória (quando Jesus foi aclamado "Rei" pelo povo de Jerusalém - saudado com ramos na entrada da cidade), passando pelo desespero quando ele foi preso e  condenado e, estes mesmos cristãos caindo em total desesperança quando ele morreu.  O sonho deles de um mundo melhor, a felicidade da companhia de um ser extraordinário que fazia do impossível, cotidiano através dos “milagres” que realizava, acabara.  Em meio a esta desolação, mais uma vez  Jesus fez de suas palavras atos, como sempre, e ele que já havia feito seu amigo Lázaro ressuscitar, ressuscitou a si mesmo em sua "forma de luz". Desde, então, chegou a vez, dos cristãos "seguirem com suas próprias pernas", de porem em prática a fé, de porem em prática o aprendizado recebido,  de fazerem da autotransformação, caminho e exemplo. Jesus disse: Eu sou o caminho, a Verdade, a VIDA. Como cristãos devemos ressuscitar todos os dias, deixando de acreditar na morte e passando a acreditar na vida, pois só morre o que é mortal, já que o que é imortal  é indestrutível.  A páscoa celebra a Vida, a vida que é eterna e indestrutível e faz lembrar do amor, a força primordial do universo.

João 20:

E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.


Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.
Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro.
E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro.
E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia não entrou.
Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis,
E que o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu.
Porque ainda não sabiam a Escritura, que era necessário que ressuscitasse dentre os mortos.
Tornaram, pois, os discípulos para casa.
E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro.
E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.
E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.
Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.
Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer, Mestre).
Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto.
Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.
E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor.
Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.
E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.
Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.
Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.
E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco.
Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.
E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!
Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

sábado, 31 de março de 2012

Todo Cambia (Mercedes Sosa)

Todo cambia
Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
Aúnque esto le cause daño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
Por mas lejo que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Pero no cambia mi amor...

Todo Cambia

Muda o superficial
Muda também o profundo
Muda o modo de pensar
Muda tudo neste mundo

Muda o clima com os anos
Muda o pastor e seu rebanho
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho

Muda o mais fino brilhante
De mão em mão seu brilho
Muda o ninho o passaro
Muda a sensação de um amante

Muda o rumo do andarilho
Ainda que isto lhe cause dano
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho

Muda tudo muda
Muda tudo muda
Muda tudo muda
Muda tudo muda

Muda o sol em sua corrida
Quando a noite o substitui
Muda a planta e se veste
De verde na primavera

Muda a pelagem a fera
Muda o cabelo o ancião
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho

Mas não muda meu amor
Por mais longe que eu me encontre
Nem a recordação nem a dor
De meu povo e de minha gente

O que mudou ontem
Terá que mudar amanhã
Assim como eu mudo
Nesta terra tão longinqua

Muda tudo muda
Muda tudo muda
Muda tudo muda
Muda tudo muda

Mas não muda meu amor...

O AMOR de Lisélia de Abreu Marques

Num primeiro momento da vida, a gente sente tanto e com tal intensidade que se assusta e decide  que não quer sentir mais.
Num segundo momento da vida, a gente deixa de sentir e se assusta com o vazio, então, decide que quer sentir de novo. Aí a gente aprende a valorizar cada sentimento e o temor da primeira fase dá lugar ao desejo e ao júbilo diante do amor experenciado em pequeninos e cotidianos gestos que revelam a riqueza e a beleza de  senti-lo.
Já no final da vida, cada pequeno gesto de amor assume o tamanho da própria vida e dá sentido a cada minuto vivido, e, é , muitas vezes, a única coisa que, ainda, justifica estar vivo.

sábado, 10 de março de 2012

Desfile de Emoçoes

Neste momento sinto-me como uma laranja descascada. A sensação que tenho é de que estou vulnerável como uma tartaruga que teve o casco arrancado. Sinto emoções antigas e tristes; sinto, em especial, a minha negatividade. É como se estas sensações estivessem aqui desde há muito tempo adormecidas e de repente despertassem. Hoje a tarde senti uma emoção antiga e conhecida, uma não aceitação a esta vida, a esta encarnação; um tipo de revolta e tristeza por estar encarnada. É um pesar que conheço desde a infância. Às vezes sinto a vida na Terra como um remédio amargo que preciso engolir. É triste sentir isto. Sinto vergonha pela minha ingratidão e mediocridade. A sensação é de uma bola no estomago, meu corpo dói. Não sei se estas sensações são oriundas da TPM, se são influencia de energias evolutivas ou, quem sabe, encosto, Só sei que estas emoções trazem um misto de tristeza, angustia e ao mesmo tempo alegria por sentir tudo isto. Como um despertar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

NO CORAÇÃO DO MAL VIVE UM ANJO de Lisélia de Abreu Marques

Dentro do coração de cada demônio há um anjo acorrentado a espera de libertação. Na dimensão, onde o demônio age solto, o anjo irradia sua luz sob a forte cortina negra da ignorância e da crueldade. Mas no centro, na sua esfera angelical, ele vela, compassivamente por sua personalidade distorcida e sofredora, orando por conversão e paz.
Na superfície destes dois mundos transita o ser humano, abrigando seu anjo e seu demônio e escolhendo, a cada instante, com sua consciência adormecida, a que voz dar razão. Não é fácil escolher; o véu das ilusões nos confunde, enquanto nosso anjo continua a velar, sem descanso, esperando para ser libertado. Mas, é justamente a nossa bizarra condição humana, a ponte capaz de realizar este milagre,  transmutando o mal em bem pela aceitação da guiança angelical, curando, assim, os mundos apartados pela ilusão e consolidando um ser pleno e de consciência única e harmoniosa, fechando, desta maneira, o ciclo da luz que quase se apagou, tornou-se carne e voltou a brilhar novamente.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ORÁCULOS de Lisélia de Abreu Marques

Os oráculos são assim: às vezes, nos dizem o que precisamos ouvir para que cheguemos aonde precisamos chegar e descobrir o que precisamos descobrir para concluirmos que ja o sabiamos antes de toda esta historia começar, mas que não nos saberiamos sabedores se não tivessemos acreditado no que não era, mas queriamos que fosse. Em resumo, indo descobrimos que não precisariamos ter ido para descobrir o que já sabiamos, mas não indo, não descobririamos que já o sabiamos, logo, precisavamos mesmo ir. Ou seja, mesmo quando erram, eles acertam.

domingo, 25 de dezembro de 2011

PARTES DE MIM de Lisélia de Abreu Marques

Tem uma parte minha cheia de boa vontade, ética e afeto. Esta parte realmente deseja o melhor, busca por este melhor, acredita neste melhor em si e nos outros, mas tem, também, uma parte minha selvagem, irritável, agressiva, pronta para atacar. Esta fera tem uma agilidade! Qualquer descuido que eu dou ela escorrega o braço pela grade da sua jaula e mete as garras em alguém, às vezes até em mim mesma. Tem uma língua que corta como espada.
De burra, a fera que vive em mim, não tem nada. As vezes ela é sutil como uma sombra pode ser e me convence de que um preconceito, um raciocínio torto, uma maldadezinha estão certíssimos, afinal, foi o outro que provocou. E, infelizmente, muitas vezes caio direitinho na lábia dela. E, é tão rápida no bote, esta fera que vive em mim, que quando me dou conta, já fiz a besteira. E ela ri satisfeita. Vivemos num clima de gato e rato esta parte e eu. Tem momentos que ela ataca a si mesma e se arranha toda, se morde, se maldiz com culpas e penas autoimpostas. Tenho dó dela e ela ri, pois me enganou de novo. 
A fera é tão esperta que costuma usar espelhos pra me enganar. Há momentos em que olho para alguém e ela, imediatamente coloca um espelho na frente e vejo a face projetada da minha  fera babando e rosnando e já entro na defesa e ataque. Aí adeus, já era a paz e a harmonia.
Com outras pessoas, a danadinha coloca o espelho refletindo o meu melhor no rosto do meu interlocutor e como Narcíso, me apaixono por minha melhor face. Aí, então, ela tira o espelho e eu não reconheço a face de quem achava estar amando, meu coração se parte em mil pedacinhos e a fera se sente triunfante mais uma vez. Ela é cruel e adora usar seus muitos espelhos contra mim e contra os outros.
 Pois é, vivemos assim, nós três, as três partes de mim mesma: quem eu penso que sou, o meu melhor e o meu pior. E a vida segue. Um dia acredito serei inteira novamente, guiada pelo melhor que há em mim. Até lá desculpem meu mau jeito.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

PREM BABA

Questão: Amado Prem Baba, nós, homens e mulheres, somos tão diferentes. Essa diferença faz com que, o caminho de purificação seja muito diferente para homens e mulheres. Como viver essa diferença e esse caminho dentro da relação?

Prem Baba: Em primeiro lugar, abrindo mão da necessidade de que o outro seja igual a você. Isso faz com que você se abra para compreender o outro. Essa iniciação espiritual, que é o relacionamento a dois, tem os seus mistérios. Esses mistérios, somente se revelam, quando você está aberto para desvendá-los. É você quem abre a porta para que o mistério se revele. O mistério do universo masculino, do universo feminino; o mistério da relação e da fusão desses dois princípios. Somente quando você se abre, é que o universo revela os seus mistérios. Você se mantém fechado, enquanto quer obstinadamente, forçar o outro a ser o que você projetou.

Enquanto você estiver obstinado a forçar o outro, a ser aquilo que você imaginou que ele fosse, significa que você está fechado para o mistério; significa que você ainda não está recebendo os ensinamentos dessa iniciação espiritual. Significa que você está andando em círculos. Você está somente projetando no outro, as suas fantasias e usando toda a sua energia, para forçá-lo a te amar exclusivamente. Isso é o mesmo que andar no vale da sombra e da morte.

Você tira o pior do outro para fora e, também coloca o seu pior para fora. Porque a porta do coração está fechada. O coração se abre e, você começa a desvendar o mistério desses princípios universais, quando deixa de forçar o outro, a ser aquilo que você quer que ele seja; quando você abre mão, de querer transformar o outro e, quando você se abre para a compreensão, de que cada um só pode transformar a si mesmo. Então, você se abre para compreender o outro.

Deus tem seus mistérios. Um deles é esse, de se manifestar através do homem e da mulher. Você só pode compreender esse mistério, se estiver aberto para a aventura de conhecer a si mesmo através do outro. É preciso haver interesse de conhecer o outro, como ele funciona e como ele age. Isso somente é possível se há amor. Somente com esse amor, você se abre para receber a revelação desse mistério. Inclusive de querer compreender, como é que você pode ajudar o outro na revelação.

Como você pode ajudar o outro a despertar os seus potenciais? Somente se há amor, você de fato estende a mão, para que o outro seja realmente feliz. O que acontece é que, de uma forma geral, nos relacionamentos humanos, um ser não enxerga o outro. Ele só enxerga as suas próprias projeções e, quer que o outro corresponda às suas expectativas. E, se o outro não atende às suas expectativas, você se aborrece. Você se fecha e passa a forçar o outro a fazer do seu jeito. Assim, você perde a chance de desvendar o mistério.

O princípio masculino é o princípio da ação. Quando você planta uma semente, você precisa exercer uma ação. O princípio feminino é a aceitação e a receptividade. É o tempo de espera, para a semente se transformar numa flor. Não importa, se esses princípios se transformam num homem, ou numa mulher. Eu estou falando dos princípios cósmicos universais que, em algum momento, precisam se unir dentro de você. É por isso que você busca fora.

Você diz assim: “Querido mestre Prem Baba, algumas vezes, dá mais vontade de encontrar um grande amor, do que Deus. Existe alma gêmea?”

Eu compreendo a sua necessidade, porque isso faz parte da evolução humana. E você somente está pronto para desfrutar das alegrias do amor divino, depois que passou pelas alegrias e misérias do amor humano. Essa é uma fase do desenvolvimento da consciência. Nesse planeta, você tem a chance de viver essa iniciação que chamamos de união. O princípio masculino busca o feminino. O feminino busca o masculino.

Conforme você vai se purificando, dessa fantasia de encontrar uma alma gêmea; conforme você vai se libertando, dessa ideia de encontrar a pessoa perfeita e, conforme vai se libertando dessa fantasia; conforme você vai compreendendo, que precisa integrar o masculino e o feminino dentro de você, você pode experienciar a unidade.

Eu tenho dito que se a vida é uma escola, relacionamentos é a sua universidade. Você está à procura de integrar o feminino e o masculino dentro de você. Mas, para que essa integração aconteça, é importante que você esteja aberto para ela. Ao mesmo tempo em que você deseja essa integração, você não a quer. Uma parte sua quer integração, mas outra não quer, porque você não quer se abrir para o outro. Noutra parte, você está obstinado a fazer o outro realizar a sua fantasia. Você quer que o outro seja aquilo que você acredita que ele deve ser. Isso não é amor, é egoísmo. Você não está olhando para o outro, somente para si mesmo.

Você quer que o outro atenda às suas expectativas. Isso é o que bloqueia a possibilidade, de você compreender como o outro funciona e, consequentemente, adia a integração do feminino e do masculino dentro de você. Isso adia o seu encontro com Deus; isso adia a sua vontade sincera, de se entregar para o caminho espiritual.

Essa é uma das questões mais delicadas, que precisa ser compreendida em profundidade. Como você adia a sua evolução espiritual, através dos jogos dos relacionamentos.

Questão: Como entra a homossexualidade nisso?

Prem Baba: Não faz diferença. Tanto na homossexualidade, como na heterossexualidade, você está buscando a sua contraparte dentro de você. São estágios no processo da evolução da consciência. De qualquer maneira, você está buscando integrar o masculino, ou o feminino dentro de você. Os jogos são os mesmos. É você projetando as suas fantasias no outro e, forçando o outro a se tornar o que você fantasiou. É você forçando o outro a te amar. É você querendo que o outro se transforme, ao invés de tentar transformar a si mesmo. Isso impede que você se abra para compreender os mistérios dos relacionamentos. Isso se torna um vício e você fica preso nisso.

Você fica preso aos jogos de codependência, onde você somente consegue experienciar prazer, com a infelicidade do outro. É o que eu estava falando ontem, sobre o prazer negativamente orientado. Se você quer realmente evoluir, faz-se necessário reconhecer essas projeções. O quanto você está aberto, para olhar o outro objetivamente? Olhar o outro objetivamente, significa olhar o outro, assim como ele é. Olhar subjetivamente, significa olhar de uma forma distorcida; significa olhar com lentes coloridas, que distorcem a percepção da realidade. Você utiliza essas lentes, normalmente porque não quer ver a realidade.

Você não quer abalar a segurança da fantasia que você criou. Olhar para o outro objetivamente, significa olhar para a luz e para as imperfeições do outro e, estar aberto para amá-lo, mesmo com as suas imperfeições. Porque se você está num corpo humano, você tem imperfeições. Você reconhece as imperfeições, mas não dá força para elas. Isso é olhar objetivamente. Olhar subjetivamente é quando você não quer ver as imperfeições. Você finge que não existe, para continuar no seu mundo de fantasia. Isso adia a sua evolução.

Tem algumas pessoas, que estão chegando do campo do ABC da Espiritualidade, e, que tiveram a chance, de olhar mais objetivamente para si e para o outro. Depois que eles integrarem um pouco melhor a experiência, eles poderão falar um pouco sobre isso, se tiverem vontade. Como é retirar a lente e olhar para o outro objetivamente?

Nós estamos num estágio da consciência, no qual é fundamental, aceitar as diferenças. Você só aceita as diferenças, se puder olhar para elas. Mas, para poder enxergá-las, você precisa estar aberto para isso. É isso que eu chamo de transparência. Esse é o requisito do casamento da Nova Era. Talvez, esse seja o significado maior da palavra intimidade: não ter segredos, não ter mentira.

Você está aberto para receber a revelação do outro e, o outro está aberto para receber a sua revelação. É assim que você vai crescendo no amor. Alguns seres humanos nessa Terra vão passar por essa iniciação. Quando você já está num grau adiantado nessa iniciação, você começa a se lembrar de Deus e, então começa a colocar Deus em primeiro lugar.

Por isso eu digo que, eu dou o que você me pede, até que possa receber o que eu tenho para te dar. Ok, se você quer um namorado, eu te dou um, até que você se canse disso; até que você queira Deus. Mas não entre nisso, querendo sair logo, para poder encontrar Deus. Assim, você também estará adiando o seu aprendizado. Eu tenho dito que, esse fenômeno é um florescimento.

Quando você pôde, integrar o masculino e o feminino e, pôde unir esses princípios dentro de você, ou seja, você realizou a união perfeita, você finalizou um estágio da evolução espiritual, que eu chamo de iniciações menores. Então, você entra nas iniciações maiores e, está pronto para se entregar, para ser guiado pelo grande mistério. Você está pronto para ser levado, para onde Deus quiser que você vá. Então, você está completamente livre.

Você vai deixando os apegos aos poucos. Mas independentemente do estágio em que você se encontra, você deve se dedicar ao seu sadhana. Você deve se dedicar, para a instrução que foi transmitida e, independentemente, de onde você esteja, lembre-se de fazer o seu mantra. Lembre-se de cantar os nomes de Deus, porque você vai sendo resgatado pouco a pouco. Não importa onde você esteja, quando você começa a se lembrar de Deus, nem que seja por um instante, um milagre acontece na sua vida e, uma corda de apego se quebra.

Num instante que você se lembra de Deus e, se abre de verdade, um milagre acontece e o seu desejo é esvaziado. O seu desejo de dominar o outro se esvazia. O desejo é um poço sem fundo. Você quer ter o outro, assim como quer ter coisas. Isso nasce da falsa idéia de quem é você. É por isso que você quer ter. Vagarosamente, quando você se lembra de Deus, você começa a se lembrar, que é uma fonte inesgotável de doação. Você tem amor para dar para todos, assim como o sol, que ilumina todos por igual. Assim como a água pura, que mata a sede de todos.

Aí você começa a sair da esfera pessoal e, entra na esfera impessoal. Ao invés de amar um, você ama a todos. Você descobre que tem amor para todos. Isso é uma passagem, é uma iniciação. Você vai aprendendo isso devagar. “É devagar, é devagar, os caminhos do senhor, é devagar.” Devagar, você vai aprendendo a partilhar o seu ouro espiritual com todos. Mas, para chegar nesse estágio, você precisa passar pela experiência de compartilhar com uma pessoa. Se você não pode compartilhar o seu ouro com uma pessoa, como vai compartilhar com toda a humanidade? Se você não suporta a luz da vela, como vai suportar a luz do sol? Se você não consegue ser verdadeiro com uma pessoa, como pode ser com todos?

É por isso que Deus nos fez assim. É por isso, que nós passamos por esses estágios de evolução da consciência. Assim como você aprende a se revelar para outro ser humano como você, é assim que aprende a se revelar para Deus. Quando você aprende a ser transparente, a ser íntegro e verdadeiro, e, vai se libertando das suas projeções, você vai também removendo as projeções de Deus. Você vai acabando com as fantasias sobre Deus. Você deixa de achar, que Deus é um velhinho de barba branca, sentado no céu, apenas olhando o tamanho dos pecados que você está cometendo. Você começa a ver Deus como amor.

Deus é a inteligência criadora, que age em tudo e em todos, que age através de você e que mora no seu coração. “Eu sou aquele que fala em todas as bocas. Eu sou a vida única, por trás de todos os corpos e nomes.”

Você está em busca dessa experiência, a experiência direta de Deus. É isso que traz alegria sem causa. Mas, respeite o estágio atual da sua iniciação. Se você está num relacionamento, aprenda a ver Deus no seu parceiro. Aprenda a revelar a sua divindade e, a receber a revelação do outro. Paralelamente a isso, dedique-se ao seu sadhana. Assim, vagarosamente, a sua consciência vai sendo iluminada e, a luz da compreensão vai iluminando a sua vida.

Tudo vai ficando simples. Você começa a se sentir calmo. Você sente o silêncio e, vai perdendo a motivação de forçar o outro a dar algo, que ele não tem para te dar. Você começa a respeitar o tempo do outro e, abre mão da necessidade de ser amado exclusivamente, porque você experimentou o amor. Se você tem para dar, você abre mão dessa necessidade de receber o tempo todo. Dessa forma, a sua mente vai se aquietando e se tornando equânime. Então, a vida começa realmente a se abrir.

Questão: Parece que, para seguir esse caminho espiritual, temos que nos esforçar para sair do mundo exterior e deixar os desejos. Mas, parece que somente o fato de estar aqui, já é um luxo. Então, como podemos ter o dinheiro, para ter o que precisamos e tudo mais e, fazer tudo isso? Parece que, somente quem tem dinheiro, pode deixar de ser influenciado pela matéria. Ao mesmo tempo, parece que o caminho espiritual toma todo o nosso tempo, então não temos como ter dinheiro. Então, qual é a solução? Devemos nos tornar todos sadhus? (risos)

Prem Baba: Essa é uma excelente questão. Eu em nenhum momento, disse que o dinheiro é uma coisa negativa. O que é negativo é a forma como você lida com ele. O que acontece, é que o ser humano de uma forma geral, não sabe quem é, e, está identificado com uma falsa ideia de quem é, e, precisa agregar valor para essa ideia. Então, ele precisa conquistar o mundo, para acreditar que é alguém.

Então, se eu tenho um carro bonito e estou dirigindo esse carro, você acredita que esse sou eu. Durante um período, o carro agrega valor para a ideia de quem você acha que é. Passam algumas semanas e, você começa a se sentir novamente separado, sozinho e infeliz. Então, você quer outra coisa. Você consegue uma namorada. Então, eu encontrei a minha alma gêmea. Você fica feliz e se sente preenchido. Você desfila com a sua mulher, pensando “esse aqui sou eu”. Passam algumas semanas, às vezes alguns dias, quando não algumas horas e, você novamente se sente sozinho e separado.

A mente humana está condicionada, a ter coisas pra agregar valor a sua ideia de “eu”. O que eu estou propondo, é que você se entregue para Deus e, permita-se ser guiado por Ele. Permita que Deus lhe dê o que você precisa. Permita que Deus use os seus talentos e dons, para realizar o jogo divino. Quando você estiver afinado com esse propósito; quando o seu propósito interno, o propósito da sua alma, estiver se manifestando no mundo externo, eu duvido que lhe falte alguma coisa. Não lhe falta nada. Deus dá tudo que você precisa. Tudo chega na hora certa. Mas, não é você que quer pegar, para poder agregar valor a sua ideia de “eu”. Você está simplesmente seguindo o fluxo.

Pode chegar um dia, em que a renúncia tome conta de você e, você larga a sua roupa e vira um sadhu pelado por aí, mas eu duvido que lhe falte alguma coisa, porque Deus providencia tudo o que você precisa. O que eu quero que você compreenda, é que é preciso tirar o ego da frente. Não é o ego que tem que estar no comando. É abrir mão da autoria. É renunciar o fruto das suas ações. É colocar cada molécula do seu corpo, de acordo com a vontade divina. É se deixar ser guiado pelo Espírito Santo.

Deus te leva para lá e para cá. Deus dá o que você precisa. Eu estou querendo, na verdade, te provar que no mundo de Deus não existe falta. A falta existe somente na mente humana. O medo da escassez existe na mente. No mundo de Deus não falta nada.